Você tem apego a ideias?

Todo apego é difícil de se libertar. Existem pessoas que não se livram da roupa nem por um decreto. Todo dia de manhã, abrem a porta do armário e, mesmo com uma montanha de roupas caindo no chão de tão lotado que está o espaço, elas não conseguem dar uma olhada em tudo o que têm e decidir, talvez, dar aquelas blusas que não servem mais. Ou, até mesmo, abrir mão daqueles sapatos já bem desgastados que não saem mais do armário para dar uma voltinha por aí. Eu sei. É duro se livrar de objetos, mesmo quando o acúmulo de coisas que não são usadas faz mal para a saúde e para a alma. Mas se você pensa que só o apego material faz mal, está enganado. O apego a ideias é tão prejudicial quanto o outro tipo.

O apego a ideias parece ser inofensivo

Existem pensamentos que não saem da nossa cabeça. E quando a gente pensa que determinada coisa foi feita para nós, nos apegamos a ela. O problema é que, muitas vezes, aquela ideia não é para nós, e devemos deixá-la ir. Um exemplo clássico é quando você é chamado, por exemplo, para uma entrevista de emprego em um lugar que você sempre sonhou em trabalhar. O seu currículo foi selecionado, você passou por entrevistas presenciais, dinâmicas de grupo, testes e mais testes. Com isso, saiu da empresa contente e saltitante, com muita esperança e quase certeza absoluta de que seria chamado para trabalhar naquele lugar.

Mas eis que você recebe uma ligação do recrutador, dizendo que a vaga foi preenchida por um candidato que tinha mais a ver com o perfil da empresa. Assim, você fica magoado, decepcionado, e não consegue parar de pensar nos motivos que fizeram com que o recrutador não te escolhesse. E essa quase obsessão por uma ideia se transforma em sofrimento por dias a fio.

Sei que tem muita gente que não acredita em força superior ou qualquer nome que você queira dar a essa energia que nos move e que contribui para que a gente vá para onde devemos ir, e não para onde queremos ir. Mesmo que a ideia do texto seja falar sobre apego, acho que desapegar de ideias, especialmente, tem a ver com acreditar que, ao fazermos o nosso melhor para conquistar o que queremos, algo vai acontecer. E se não for do jeito que a gente quer, que está tudo bem, porque não tinha que ser do nosso jeito. Para mim, essa percepção maior nos ajuda a desapegar e deixar fluir.

Let it go

Como eu gosto dessa frase: “deixe ir”. Deixar ir é desapegar do que acreditamos ser “o certo” para nós de acordo com determinada ideia pré concebida que temos (aquele tipo de lugar é melhor para mim, aquele tipo de pessoa, aquele tipo de trabalho, aquele tipo de projeto) e prestar mais a atenção ao nosso redor e dentro de nós. Muitas vezes, aquilo que está martelando na nossa cabeça, aquela ideia que teima em não sair de jeito nenhum, faz parte do nosso “barulho interno”. E esse barulho pode estar nos impedindo de encontrar aquilo, lá dentro de nós, que tem muito mais a ver com quem verdadeiramente somos e o que devemos buscar, do que a confusão mental que nós mesmo criamos.

Por isso, antes de insistir em ficar com alguma ideia martelando na sua cabeça, tentando entender os motivos pelos quais você não conseguiu aquilo que queria, pare, respire e confie. Mas não é uma confiança passiva não, longe disso. É aquela confiança de que, ao parar, respirar, possamos definir o que devemos buscar e, com isso, continuar tentando até conseguir ou até o nosso silêncio nos mostrar que o caminho é outro. E tudo bem.

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1 responder
  1. marcia_organizer
    marcia_organizer diz:

    Oi Helô, só agora estou vendo seus textos. Estão ótimos, sem “fórmulas mágicas” para a organização e uma vida feliz.E seu site também está muito bacana. Parabéns e Sucesso!

    Responder

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