O que aperreio tem a ver com mudança?

Você já sentiu uma inquietude sobre determinado assunto e, por mais que trace algum plano na sua vida, esse sentimento volta, fazendo com que reveja tudo o que pensou? É um aperreio, não como estresse, mas como incômodo e perturbação mental mesmo. Vou dar um exemplo do que aconteceu comigo. Na minha cabeça, estava tudo certo de que falaria sobre organização e decoração de interiores no blog e nas mídias sociais. Afinal de contas, havia feito curso nessas duas áreas, depois da graduação em Jornalismo, e nada mais certo (na minha cabeça) de que a minha paixão pelas duas ocupações deveria ser estendida por meio de dicas, textos, consultorias e afins. Porém, percebi que esse meu aperreio tem influenciado o modo como quero comunicar o que acredito para as pessoas, escolha que tem a ver com os meus valores, propósitos e objetivos de vida, que podem mudar a qualquer instante. Mudando isso, mudam-se os projetos, e a maneira pela qual iremos agir dali por diante para concretiza-los.

Porém, perceber uma mudança de interesse requer vigilância sobre os assuntos que estão nos interessando mais ou até que sempre nos interessaram, mas que nunca tivemos um olhar mais atencioso sobre eles e, portanto, nunca demos a importância que merecem em nosso dia-a-dia. Por isso, estou cada vez mais convencida da atenção que devemos cultivar com tudo o que fazemos para não correr o risco de ficar o tempo inteiro no piloto automático, apagando os incêndios que insistem em aparecer. O fato é que, se estivermos atentos, o fogo irá causar danos, mas estaremos prontos para encontrar uma solução para o problema.

Falo isso porque, ao nos concentrarmos em uma coisa de cada vez, com atenção e foco, em uma rotina minimamente organizada, temos a possibilidade de abrir espaço para a contemplação, para um modo de enxergar o que estamos fazendo de uma maneira que nunca pensamos antes, e de aprimorarmos a nossa capacidade criativa que sempre tivemos, mas que pode estar adormecida com tantos afazeres e coisas para nos preocupar. Senti isso na pele por esses dias. Estava com a cabeça tão ocupada por pensamentos inúteis que não conseguia encontrar uma solução para me motivar e acreditar mais profundamente no que deveria fazer.

O que me fez enxergar uma necessidade de mudança foi o aperreio dentro de mim insistindo que eu precisava mudar um pouco o foco. Ainda não sabia o que precisava ser mudado por conta dos tais pensamentos, mas só foi parar por uns dias que a inspiração chegou. Ela me mostrou que o caminho deveria ser mais profundo, passando por questões que sempre me interessaram em ler, saber, compreender, discutir, mas que ainda não sabia como integrá-las ao modo de organização que eu acredito que possa trazer uma real mudança para as pessoas.

E esse modo de organizar passa, primeiro, por dentro de nós (isso já havia deixado claro) para depois se expressar do lado de fora, na nossa relação com as pessoas e com a nossa casa. Porém, percebi que a nossa organização interna passa por algumas questões que gostaria de trazer a vocês de hoje em diante. O foco da minha conversa toda são as mulheres super ocupadas que foram educadas a achar que podem fazer tudo, tanto em casa quanto fora dela, e não devem pedir a ajuda de ninguém. É para elas que o meu foco principal de atenção é direcionado. Posso falar para os homens também? Claro que sim! Mas, como disse anteriormente, não é o foco principal.

Sendo assim, trarei agora questões que possam NOS ajudar (me incluo também nessa panela de ideias) a termos um relacionamento mais saudável com a nossa rotina e a nossa casa. Com relação à rotina, incluo filhos, marido, amigos, familiares, trabalho, diversão, e tudo o que pode envolver uma agenda (ou não), com reflexões que possam nos proporcionar um pouco mais de paz e, quem sabe, motivação e energia para conseguirmos conscientizar o máximo de pessoas sobre a importância da divisão de tarefas, da redução (ou maior flexibilização) de jornada de trabalho, de mais cargos de chefia para as mulheres, de se desligar de vez em quando da tecnologia e olhas nos olhos do outro, de ter uma visão mais positiva diante da vida (estudos já demonstram que a nossa maneira de enxergar o mundo influencia o nosso lado emocional e físico), da capacidade de nos atentarmos para o presente, de nos desacelerar, de consumirmos menos.

Espero que goste das novas reflexões, mas também se não gostar, pode me dizer! =)

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